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# Casas mais caras, menos vendas e crédito a subir: o mercado imobiliário português no 2.º trimestre
- URL: https://www.custodeoportunidade.pt/metro-quadrado-2-trimestre-2026/
- Published: 2026-11-02T18:24:44.000Z
- Updated: 2026-11-02T18:25:45.000Z
- Description: Os preços continuam a subir a dois dígitos, mas abrandam. Vende-se menos, o crédito encarece e comprar uma casa custa hoje 13 anos de rendimento de uma família, contra 8 em 2019.
- Author: Custo de Oportunidade
- Tags: Metro Quadrado, Imobiliário

## Os números do trimestre

+16,5%Preço das casasface ao ano anterior · 1T: +17,8%

40 142Casas vendidas−6,4% face ao ano anterior

+10,2%Rendas novas10,17 €/m² nos novos contratos

3,00%Juro dos novos créditosagosto · janeiro: 2,84%

13,1Anos de rendimentopara uma casa de 90 m² · 2019: 7,9

5,2%Yield brutarenda ÷ preço · há um ano: 5,6%

## 1\. Vende-se menos mas mais caro

No 2.º trimestre venderam-se **40 142 casas** em Portugal, menos 6,4% do que um ano antes. Mesmo assim, o valor total transacionado subiu 4,2%, para **10,7 mil milhões de euros**: cada casa vendida está mais cara.

Os preços subiram 16,5% em termos homólogos. É a segunda descida seguida do ritmo de subida (no 1.º trimestre foi 17,8%), mas continua muito acima dos salários e da inflação. As **casas usadas sobem mais do que as novas** (+18,0% contra +12,3%): a falta de oferta sente-se sobretudo no mercado de usados.

Casas vendidas em Portugal, por trimestre 

41 358

42 889

42 481

43 084

37 745

40 142

1T252T253T254T251T262T26

Fonte: INE, Índice de Preços da Habitação 2T2026 (22/09/2026).

| Índice de Preços da Habitação | 1T2026 | 2T2026 |
| ----------------------------- | ------ | ------ |
| Total, face ao ano anterior   | +17,8% | +16,5% |
| Casas usadas                  | +19,7% | +18,0% |
| Casas novas                   | +12,6% | +12,3% |
| Face ao trimestre anterior    | +3,8%  | +3,6%  |

Os compradores estrangeiros (com domicílio fiscal fora de Portugal) foram 1 890, apenas **4,7% do total** e menos 10,3% do que há um ano.

## 2\. As rendas sobem, mas menos do que os preços

A renda mediana dos novos contratos chegou aos **10,17 €/m²** no 2.º trimestre, mais 10,2% do que um ano antes. Para um T2 de 80 m², são cerca de 815 € por mês. O número de contratos novos ficou praticamente igual (35 407, +0,4%).

Como os preços sobem mais depressa do que as rendas, a **yield bruta** (a renda anual em percentagem do preço) continua a encolher:

Yield bruta do arrendamento em Portugal 

2.º trimestre 20255,6%

2.º trimestre 20265,2%

Juro dos novos créditos à habitação (ago)3,0%

Yield bruta = renda mediana dos últimos 12 meses × 12 ÷ preço mediano de venda dos últimos 12 meses (INE). É indicativa: não são as mesmas casas e não desconta IMI, condomínio, períodos sem inquilino, IRS nem custos de compra.

A yield bruta desceu 0,4 pontos percentuais num ano, enquanto o juro dos novos créditos subiu de 2,84% para 3,00% desde janeiro.

## 3\. O crédito encareceu ao longo do ano

A Euribor a 12 meses subiu cerca de **1 ponto percentual** desde janeiro, para 3,25% em setembro. A taxa dos novos créditos à habitação acompanhou, embora mais devagar: **3,00% em agosto**, o valor mais alto desde abril de 2025.

Euribor a 12 meses e juro dos novos créditos, 2026 2,0% 2,5% 3,0% Euribor 12m · 3,25% Novos créditos · 3,00% jan mar mai jul set 

Médias mensais. Fontes: EMMI (Euribor); Banco de Portugal (novos contratos, até agosto).

Para quem já tem crédito, o efeito chega com atraso: a prestação média do stock é de **418 €** (+24 € num ano), mas nos contratos novos já vai nos **744 €** (+14,3%). Os bancos continuam a emprestar cerca de 2 mil milhões de euros por mês em crédito à habitação.

Há ainda um detalhe que pesa na entrada: as casas estão a vender-se **cerca de 9% acima da avaliação bancária** (2 337 €/m² contra 2 151 €/m²). Como o banco financia sobre o valor mais baixo dos dois, quem compra precisa de mais capital próprio do que a percentagem de financiamento sugere.

## 4\. A oferta cresce, mas menos do que a população

Licenciaram-se **11 854 casas novas** no 2.º trimestre, mais 11% do que um ano antes, e concluíram-se 7 437 (+11,6%). A construção está a acelerar. Mas a procura cresceu mais depressa:

+824 914Novos residentes2021 → 2025 · +7,8%

142 927Casas novas licenciadas2022 → 2025

5,8Novos residentes por casauma família média tem \~2,5 pessoas

Fontes: INE, população residente a 31/12 (inclui imigração e regularizações) e fogos licenciados em construção nova para habitação familiar. Uma licença antecipa a conclusão em 1 a 2 anos e não conta a reabilitação.

Ao mesmo tempo, construir ficou mais caro, mas muito menos do que as casas encareceram. Desde 2021, o preço das casas subiu **86%** e o custo de construir **34%**.

Quanto subiu desde 2021 

Preço das casas+86%

Custo de construção · mão-de-obra+45%

Custo de construção · total+34%

Custo de construção · materiais+26%

2.º trimestre 2021 → 2.º trimestre 2026\. Preço: INE, mediana dos últimos 12 meses. Custo: INE, índice de custo de construção de habitação nova (junho de cada ano).

E as casas vazias? Nos Censos de 2021, apenas **5,8% das casas** estavam vagas e disponíveis para venda ou arrendamento. Outras 6,3% estavam vagas por outros motivos (heranças, obras, abandono) e 18,5% eram segundas habitações.

## 5\. Comprar casa exige o dobro do esforço de 2019

Uma forma simples de medir o acesso à habitação é perguntar: quantos anos de rendimento de uma família custa uma casa de 90 m²?

Casa de 90 m², família com rendimento mediano 

|                                    | 2019     | 2026     |
| ---------------------------------- | -------- | -------- |
| Preço por m² (mediana)             | 1 094 €  | 2 264 €  |
| Rendimento bruto anual da família  | 12 499 € | 15 573 € |
| Anos de rendimento                 | 7,9      | 13,1     |
| Juro dos novos créditos            | 1,04%    | 2,95%    |
| Prestação em % do rendimento bruto | 28%      | 59%      |

Rendimento: INE, rendimento bruto declarado mediano por agregado fiscal (2019 e 2024, o último disponível). Preço: INE, mediana dos últimos 12 meses (4T2019 e 2T2026). Prestação: crédito de 90% a 30 anos à taxa média dos novos contratos. Usar o rendimento de 2024 com preços de 2026 sobrestima ligeiramente o esforço.

Desde 2019, o rendimento das famílias subiu 25%. O preço das casas mais do que duplicou (+107%) e o juro quase triplicou. O resultado: a prestação de uma casa típica passou de pouco mais de um quarto para **quase 60% do rendimento bruto**, acima do limite de 50% (sobre o rendimento líquido) que o Banco de Portugal usa como referência para conceder crédito.

Para terminar 

## A mesma casa, sete anos depois

Uma casa de 90 m² ao preço mediano do país, comprada por uma família com rendimento mediano e crédito de 90% a 30 anos.

20192026 Preço da casa98 460 €203 760 € Entrada (10%)9 846 €20 376 € Prestação mensal287 €768 € Rendimento bruto mensal da família1 042 €1 298 € 

+25%rendimento

+107%preço da casa

+168%prestação mensal

Peso da prestação no rendimento 

201928%

202659%

Prestação do crédito Resto do rendimento bruto 

## Fontes

- INE: Índice de Preços da Habitação 2T2026; Estatísticas de Preços e de Rendas da Habitação ao nível local; Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação; Licenciamento e obras concluídas; Rendimento declarado por agregado fiscal; População residente; Índice de Custo de Construção de Habitação Nova; Censos 2021.
- Banco de Portugal: taxas de juro e montantes de novos empréstimos à habitação. EMMI: Euribor.
- A mesma casa, sete anos depois: preço mediano dos últimos 12 meses (INE, 4T2019 e 2T2026); rendimento bruto declarado mediano por agregado fiscal (INE, 2019 e 2024); taxa de juro dos novos contratos (INE, 1,04% e 2,95%).

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